Segunda, 01 de Maio de 2017.

É Hora de o Brasil Adotar Systems Engineering por Tarcísio Takashi Muta

Fundação Ezute - É Hora de o Brasil Adotar Systems Engineering por Tarcísio Takashi Muta.
Foto: Tarcísio Takashi Muta Presidente da Fundação EZUTE
 
A era sistêmica em que estamos vivendo, as soluções para problemas complexos devem envolver uma visão holística em todas as etapas do seu desenvolvimento. O Brasil deve adotar de forma mais significativa conceitos como “systems engineering”, aplicados há anos em países como os Estados Unidos, buscando melhorar sua produtividade e contribuir para superar a sua atual posição de país importador de tecnologias e exportador de produtos primários.
 
Nesse contexto, cabe entendermos alguns conceitos de “systems engineering”. Não utilizaremos o termo “engenharia de sistemas”, uma vez que é frequentemente confundido com sistemas de telecomunicação, desenvolvimento de programas de computador ou de sistemas de informação.
 
Podemos dizer que o conceito de sistema deriva da afirmação do filósofo grego Aristóteles de que “o todo é maior do que a soma das partes”. Assim, podemos entender Foto: Tarcísio Takashi Muta Presidente da Fundação EZUTE É Hora de o Brasil Adotar Systems Engineering por Tarcísio Takashi Muta 3 sistema como um conjunto de elementos interconectados, de modo a formar um todo organizado e executar uma função específica. Com a chegada dos computadores, os sistemas passaram a agregar o software, mas ainda eram utilizados como ilhas isoladas. Em paralelo ao avanço da tecnologia da computação, os sistemas se tornaram mais intensivos em software e, interligados, evoluíram para os sistemas em rede. Mais tarde, assumiram novas dimensões, passaram a contemplar organizações e incorporaram a questão da governança. Chegamos, então, aos “sistemas de sistemas”, que realizam uma função maior do que a mera soma das funcionalidades dos subsistemas que o compõem.
 
Na sua definição clássica, Engenharia de Sistemas é um campo interdisciplinar da Engenharia que se concentra em como projetar e gerenciar sistemas complexos ao longo do seu ciclo de vida. Na sua forma moderna, essa metodologia teve origem no Bell Labs, braço de P&D da empresa norte-americana AT&T, na década de 1940. A partir do Bell Labs, aconteceram grandes realizações, como a invenção do transistor e o lançamento de um dos primeiros satélites de comunicações. Em função do sucesso dessa metodologia, outras organizações passaram a adotá-la em seus projetos, com destaque para a RAND e a MITRE, que até hoje permanecem prestando serviços para o governo dos Estados Unidos e são consideradas referências nessa metodologia.
 
Segundo a visão aqui proposta, o conceito de “systems engineering” toma outra forma. É uma metodologia com abordagem multidisciplinar que, a partir das necessidades do ser humano, enquanto organização permite o delineamento, a modelagem e a conceituação sistêmica de uma solução, a especificação de um projeto, resultando no desenvolvimento de um sistema real e operante. Dentre as instituições nos Estados Unidos que reconhecem a importância desse pensamento, a MITRE, por exemplo, defende que a aplicação de “systems engineering” às organizações ajuda a dar forma e a alinhar a tecnologia para que essas organizações atinjam os seus objetivos, cumpram sua missão. Existe ainda uma visão mais ampla, colocada pela United States Air Force Academy: “(...) a especialização em “systems engineering” não existe para formar engenheiros de sistemas, existe para garantir que os nossos futuros pilotos, os oficiais nos nossos centros de operação, e os decisores no campo de batalha, pensem em termos sistêmicos (...)”. Essa afirmação remete ao pensamento sistêmico, o grande diferencial de “systems engineering”. Contrapõese ao pensamento reducionista, que foca em problemas isolados, e leva em conta as interações e inter-relações de um sistema com o ambiente no qual está inserido. Assim, o pensamento sistêmico introduz um olhar holístico que nos leva a uma visão de “systems engineering”, vai muito além da visão técnica e tem como propósito dar suporte ao aprimoramento das organizações em que é aplicado.
 
Assim, podemos considerar que o conceito de “systems engineering” é fundamentado sobre três pilares: as ciências físicas, que envolvem a matéria e a energia; a ciência organizacional e social, que trata aspectos humanos, comportamentais, econômicos e organizacionais; e a ciência da informação e conhecimento, derivados dos dois primeiros. Aplicá-la significa atuar com uma visão holística sobre as necessidades, os sistemas e o ambiente onde estão inseridos, ou seja, aplicar o pensamento sistêmico.
 
O governo dos Estados Unidos tem se beneficiado de organizações que incorporam o pensamento sistêmico. A MITRE, por exemplo, é uma organização sem fins lucrativos que, suportada por fundos do governo americano e operando diversos centros de excelência nos Estados Unidos, é uma referência em “systems engineering”.
 
Seu relacionamento com o governo é diferenciado e recebe como incumbência buscar soluções para desafios nacionais e para as agências governamentais como, por exemplo, nas áreas de defesa, saúde e modernização da administração pública. Um exemplo foi o desenvolvimento do SAGE (Semi-Automatic Ground Environment), sistema de defesa aérea cujo desenvolvimento foi iniciado nos anos de 1950, primeira integração de computadores e sistemas de armas em larga escala.
 
No Brasil, a Fundação Ezute faz de “systems engineering” um importante instrumento na trajetória para a autonomia tecnológica e para a soberania brasileira. Na nossa visão, o conceito de “systems engineering” deve ser 4 aplicado para atender às necessidades humanas, apoiando o governo e aprimorando as organizações. Nesse sentido, o pensamento sistêmico é aplicado à organização do conhecimento multidisciplinar em soluções para melhorar a produtividade no governo ou no setor privado. A Fundação Ezute trabalha pautada nesse ciclo: reúne e avalia o conhecimento de especialistas, combina conhecimento de diversas fontes, converte conceitos complexos em informações acessíveis ao tomador de decisão nas organizações, e entrega essas informações por meio de sistemas.
 
A evolução das organizações se deu a partir da era artesanal, passando para a era agrícola, desta para a era industrial e culminou com a era da informação, do conhecimento. Hoje, as organizações vivenciam uma nova era, a era sistêmica, marcada pelo pensamento sistêmico e que leva a um novo posicionamento, mais sustentável e de maior valor estratégico, fruto da visão holística, colaborativa, ética e intensiva em conhecimento.
 
Se avaliarmos essa evolução em termos de postura e geração de riqueza, o modelo industrial propicia o acúmulo de riqueza, mas é um modelo limitado e que se esgota. As organizações sistêmicas, por sua vez, são grandes geradoras de valor, que também resultam em riqueza para todos e o seu modelo mental é distinto, empregando a visão e comportamento holístico em direção à sustentabilidade, parceria, autonomia tecnológica e soberania.
 
Esse é o formato que reflete as organizações que são pautadas pelo pensamento sistêmico e o aplicam. Elas atuam em parceria, com sentido de continuidade e de forma complementar, com isenção, propiciando a geração de valor perene. O governo poderá ter grandes benefícios se aceitar e souber atuar em conjunto com organizações desse tipo.
FUNDAÇÃO EZUTE DESENVOLVE SIMULADOR DE CENÁRIOS
A Fundação Ezute conta com diversas soluções para apoio ao planejamento e gestão. Um dos destaques da Fundação, que está comemorando 19 anos de existência, é a plataforma de simulação de cenários.
 
Desenvolvida pela Ezute com o apoio da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) -- em decorrência da conquista do Prêmio Finep de Inovação em 2011, na categoria ICT, região Sudeste -- a plataforma tem múltiplas aplicações no apoio ao planejamento de ações de Segurança Pública e Defesa Civil.
 
Um exemplo de uso da plataforma é a simulação de evacuação de estádios, que foi testada na arena de tênis do complexo olímpico do Rio de Janeiro. Outro exemplo é a simulação de inundações provocadas por chuvas, que pode subsidiar o planejamento de ações preditivas, preventivas e corretivas, relacionadas a emergências e desastres.
 
A plataforma permite a simulação de sistemas complexos, com a aplicação de tecnologia de ponta na previsão de cenários reais, em apoio ao planejamento e treinamento de equipes de emergência e de segurança, e todos os demais envolvidos, na evacuação de áreas de risco.
 
“A Fundação Ezute tem como missão transformar organizações públicas, tornando- as mais produtivas e eficientes, melhorando, assim, a vida da população brasileira. A tecnologia aplicada na plataforma de simulação de evacuação é um exemplo disso, pois oferece subsídios para o planejamento de ações preventivas”, destaca o presidente da Fundação Ezute, Tarcísio Takashi Muta.
 
Para cumprir sua missão, a Fundação Ezute adota e aplica os conceitos de Systems Engineering. Tais conceitos implicam no uso de visão sistêmica, ou holística, para desenvolver, conceber, especificar e dominar o ciclo completo de um projeto.
SIMULADOR INÉDITO INSTALADO NA HIDRELÉTRICA SANTO ANTONIO DA FUNDAÇÃO EZUTE É RESULTADO DO PROGRAMA DE P&D DA ANEEL
A Fundação Ezute atua no desenvolvimento de soluções em gestão, planejamento e simulação. Entre os destaques da organização está o desenvolvimento de um simulador, inédito no Brasil, instalado na Hidrelétrica Santo Antônio, usina a fio d’água. O equipamento foi instalado no Centro de Qualificação Operacional Santo Antônio, em Porto Velho (RO) e é resultado de um projeto de pesquisa e desenvolvimento do programa de P&D da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica).
 
O simulador permite a capacitação dos operadores da Hidrelétrica Santo Antônio, complementando o processo de certificação da equi5 pe. O simulador representa um ambiente virtual dinâmico e imersivo, possibilitando a execução de manobras da hidrelétrica, em um ambiente idêntico ao real. Na simulação também é considerado o sistema elétrico ao qual a Hidrelétrica Santo Antônio está conectada. Na prática, e de maneira bastante eficiente, o simulador apresenta ao operador em treinamento, cenários de contingências operacionais que poderão ser efetivamente enfrentados pelos operadores.
 
O simulador permite aos operadores treinar distintas situações de manobra – normais, urgência e emergência - aumentando a segurança operacional, abrangendo não apenas o funcionamento da hidrelétrica, mas também a segurança das pessoas e dos equipamentos. Como consequência, espera-se abreviar o tempo que um operador leva para atingir a maturidade operacional.
 
O simulador é um avançado sistema computacional que reproduz virtualmente o funcionamento dos equipamentos principais e auxiliares da Hidrelétrica Santo Antônio. Apresenta, fielmente, todas as características operacionais, pois utiliza como interface gráfica, com o operador, uma cópia do Sistema Digital de Supervisão e Controle (SDSC), utilizado na Sala de Controle da usina.
 
Fundação Ezute - É Hora de o Brasil Adotar Systems Engineering por Tarcísio Takashi Muta.
Sobre a Ezute
 
A Fundação Ezute é uma organização que atua em Engenharia de Sistemas, prestando serviços intensivos para, em parceria com o cliente, conceber, especificar, planejar e implementar projetos complexos. A Ezute tem origem em uma fundação, criada em 1997, designada pelo Governo Federal para ser a instituição integradora do projeto Sivam/Sipam (Sistema de Vigilância da Amazônia / Sistema de Proteção da Amazônia). Ao longo desses anos, a Ezute tem atuado em projetos estruturantes, sistemas tecnológicos complexos, em absorção e desenvolvimento de novas tecnologias e apoio à gestão de programas estratégicos, tanto na área civil quanto na de defesa.
 
A organização participa de projetos importantes junto às Forças Armadas, prefeitura e governo de São Paulo, Ministério dos Esportes, entre outros. Na área de cidadania, é parceira da Fundação Anita Pastore D´Ângelo e da Escola Aberta do Terceiro Setor. No setor de educação assumiu, em 2015, as operações do curso de inglês da União Cultural Brasil-Estados Unidos.
...
 
NOTÍCIAS RELACIONADAS



Copyright © Faer Editora e Publicidade Ltda.
Todos os direitos reservados.